Estava eu numa sala de espera de um médico - sina de todos nós -, quando, para preencher o tempo ocioso, folheei uma revista despretensiosa e, por acaso, me deparei com um artigo que arrebatou meu encantamento. Que propriedade surpreendente daquele autor desconhecido! Confesso, senti uma ponta de inveja por não ter sido eu a autora do belo escrito.
Ato contínuo, me dei conta de que o mundo está repleto de gente que escreve mais e melhor que eu. Ciente da minha pequenez, senti imenso alívio por não ser eu o limite de mim mesma. Dei graças por me lembrar de que o caminho da arte e da busca da beleza é infinito, anos-luz de qualquer vã pretensão.
Afinal, como não invejar a poesia de Cecília, a erudição de Yourcenar, o humor de Veríssimo, a simplicidade de Adélia, a originalidade de Rosa e Joyce, a perfeição de Machado, a percepção de significado de Manoel de Barros, a genialidade de Pessoa, o pioneirismo de Raquel, a versatilidade de Moreira Campos, a densidade de Clarice, a leveza de Rubem Alves, o surrealismo de Saramago, o poder da história na história de Ana Miranda?!
E como eu passaria sem o passarinho do poema de Quintana?! Uma pedra seria apenas uma pedra se Drummond não tivesse encontrado uma no meio do caminho. Minha solidão seria de cem anos sem García Márquez. E como ser fiel à paixão sem os sonetos de Vinícius?! Pensar seriamente sobre a questão da mulher soaria superficial sem a assertividade de Beauvoir. Ficariam perdidas para sempre as chaves do reino sem a penada de Cronin. Como pleitear um lugar ao sol sem o outro Veríssimo (o pai)? E, certamente, padeceria de tédio sem as travessas lembranças do Sítio do Picapau Amarelo, de Lobato...
Que graça teria a existência sem a irreverência de ilustres autores anônimos? Sem contar com os escritores que estão por vir - muitos ainda não se acham sequer no pensamento de seus progenitores... Mas, por certo, escreverão obras-primas de gerar cobiça. O que dizer das obras que ainda não li, mas que tenho notícias de sua grandiosidade? E as que nunca lerei? Ufa! Um universo literário de encantamento tridimensional - passado, presente e futuro - a assombrar e instigar...
Ah! Que inveja aliviada que sinto...
Ato contínuo, me dei conta de que o mundo está repleto de gente que escreve mais e melhor que eu. Ciente da minha pequenez, senti imenso alívio por não ser eu o limite de mim mesma. Dei graças por me lembrar de que o caminho da arte e da busca da beleza é infinito, anos-luz de qualquer vã pretensão.
Afinal, como não invejar a poesia de Cecília, a erudição de Yourcenar, o humor de Veríssimo, a simplicidade de Adélia, a originalidade de Rosa e Joyce, a perfeição de Machado, a percepção de significado de Manoel de Barros, a genialidade de Pessoa, o pioneirismo de Raquel, a versatilidade de Moreira Campos, a densidade de Clarice, a leveza de Rubem Alves, o surrealismo de Saramago, o poder da história na história de Ana Miranda?!
E como eu passaria sem o passarinho do poema de Quintana?! Uma pedra seria apenas uma pedra se Drummond não tivesse encontrado uma no meio do caminho. Minha solidão seria de cem anos sem García Márquez. E como ser fiel à paixão sem os sonetos de Vinícius?! Pensar seriamente sobre a questão da mulher soaria superficial sem a assertividade de Beauvoir. Ficariam perdidas para sempre as chaves do reino sem a penada de Cronin. Como pleitear um lugar ao sol sem o outro Veríssimo (o pai)? E, certamente, padeceria de tédio sem as travessas lembranças do Sítio do Picapau Amarelo, de Lobato...
Que graça teria a existência sem a irreverência de ilustres autores anônimos? Sem contar com os escritores que estão por vir - muitos ainda não se acham sequer no pensamento de seus progenitores... Mas, por certo, escreverão obras-primas de gerar cobiça. O que dizer das obras que ainda não li, mas que tenho notícias de sua grandiosidade? E as que nunca lerei? Ufa! Um universo literário de encantamento tridimensional - passado, presente e futuro - a assombrar e instigar...
Ah! Que inveja aliviada que sinto...

