“Um mal necessário”. “Ruim com eles, pior sem eles”. Ditos como esses são comuns numa roda de amigas. Afinal, o prato principal é sempre o mesmo: eles, os homens. Já que, ao longo da história, os homens reinaram absolutos, e vêm ocupando, até os dias de hoje, lugar privilegiado no universo feminino.
Não é para menos. A natureza fez o homem e a mulher para se unir e, juntos, gerar filhos e constituir família. Ele, fisicamente mais forte, era o caçador. Ela, a guardiã. Ele ganhava o mundo para prover a família de alimentos e segurança. Ela, confinada, cuidava da caverna e das crias. Essa foi a ordem das coisas durante milhares de anos.
Com a evolução da espécie humana, esse modelo acabou ganhando novos contornos. Hoje a mulher também é caçadora, e o homem é também guardião. Os papéis, tão bem definidos nos lares préhistóricos, foram-se imbricando a ponto de um terço das famílias já ser hoje chefiadas por mulheres.
A mudança está em curso, a pleno vapor. Não somente no imaginário feminino, mas, sobretudo, na matriz dos homens. Se eles estão confusos com o ritmo da transformação, cabe-nos ajudá-los a superar essa metamorfose. Daí a nossa responsabilidade em oferecer- lhes exemplo, sendo coerentes, justas, empáticas, amigas. Muita assertividade, mas nada de pressão exacerbada!
Também devemos fugir do contra-senso de cobrarmos (ou incentivarmos) atitudes que remetam ao velho paradigma. Conheço mulheres que descartam o homem que não pagar a conta no restaurante ou não puxar a cadeira para ela sentar. Por que também não podemos fazer a cortesia de abrir-lhe a porta ou oferecer- lhe flores?
Longe da submissão de outrora e de uma vida restrita inteiramente dedicada ao marido e aos filhos, nós, mulheres, dispomos de novos espaços a conquistar. A sociedade moderna está carente de nossa competência e estamos prontas para servi-la.
Distante do estereótipo do príncipe encantado, o homem de hoje perdeu um pouco do cavalheirismo e do caráter protetor de outros tempos. Porém, aprendeu a ser mais cooperativo, conciliador e, sobretudo, a olhar nos olhos de sua companheira e reconhecer nela alguém que igualmente merece respeito, amor e muita, muita consideração.
Pelo andar da carruagem, nas rodas de mulheres, ouviremos, em breve, máximas diferentes sobre os homens, algo como: “eles são um bem nem sempre necessário” ou “bom sem eles, melhor com eles”.

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