quinta-feira, 9 de junho de 2011

Somos todos carentes





Quando me deparo com o Eros, ele se deita no chão de barriga para cima e, todo lânguido, implora minha atenção e carinho. Independentemente de eu atender aos seus apelos, esse ritual se repete intermitentemente durante o dia. Ele até come, bebe água e brinca de vez em quando, mas penso que ele viva em função de suplicar por afagos.

Não é difícil cobrir o Eros de mimos, afinal ele é o ser mais fofinho que tenho em casa. Contudo, não posso suprir toda a sua carência, pois me resta muito a viver além do doce gesto de acarinhá-lo.

Essas manifestações que acontecem em torno desse pequeno poodle de pêlos brancos e macios, ocorrem também com o bicho-homem. Mesmo que não tão explícito e humilde como o pequeno Eros o ser humano passa grande parte da sua vida a demandar sinais de aceitação e carinho.

Não conheço na face da Terra quem não seja carente. Por mais aquinhoado que seja um ente, por mais harmoniosa que seja sua família, por mais saúde que desfrute, por mais amigos com quem possa contar, por maior que seja sua conta bancária, não há quem não seja carente.

O afortunado sentirá necessidade de compartilhar a sua sorte com alguém. Sozinho, sua fortuna será insuficiente. Sentirá a falta de diálogo, de atenção e de carinho. Somente outras pessoas poderão suprir sua carência. Aquele que tem a família harmoniosa deseja encontrar equilíbrio e bem-estar fora de casa. Vive à cata de pessoas gentis no seu círculo de convivência e se ressente quando se depara com a frieza e a rispidez de outros mais carentes ainda. Os excluídos da sociedade, então, nem se fala! Esses, é sabido, são os mais carentes de tudo: habitação, alimentação, vestimenta, segurança, educação, trabalho, dignidade, amor e, claro, carinho.

Não é de surpreender se encontrarmos por aí um homem ou uma mulher no chão, de barriga para cima e, com a mesma languidez do Eros implorando atenção e carinho. Afinal, somos todos carentes, inclusive eu. Carente da sua leitura. Carente da sua identificação com o meu texto.

2 comentários:

Márcia disse...

Lindo Blog! Pala a verdade de uma forma poética e real.
Não existe quem não se sinta carente. Pior quando encontra pessoas que tripudiam da carência humana se esquecendo do dia seguinte. Nada permanece sempre igual! Nada pode suprir um amor que se esconde e abandona, depois da conquista. É dor que só o tempo, e olhe, muito tempo... Pode apagar. O retorno é inevitável.
É a lei da vida. Pimenta em olhos alheios é refresco. Esperem chegar
nos seus.
Parabéns Simone! Meu carinho e admiração amiga...
Beijos... Márcia Rocha

Sam. disse...

Si, que coisa boa poder te ler!!!
achei teu blog pelo perfil do orkut...

lindos os textos que posta aqui!

Sigo-te lendo!

Um beijo!
Bom final de semana, querida!