Amizade e vil metal são dois elementos incompatíveis. A transparência da amizade com o caráter melindroso do dinheiro produz uma mistura estranha. Um consome o outro numa reação química tóxica e volátil. Inadvertidamente, vez ou outra, acabamos experimentando essa solução amarga...
Tive uma colega de trabalho que não nutria maiores interesses por mim, entretanto, uma vez me dispensou uma simpatia incomum, que só vim a entender quando, no final do expediente, me pediu dinheiro emprestado. Embora tenha pago a dívida (com atraso, claro!), o que me incomodava era que, passava dias sem me dar atenção, mas quando sorria para mim, eu já sabia o que viria depois...
Um dia, quando ela me veio simpaticamente passar um vale, criei coragem para dizer-lhe que me sentia desconfortável com a situação... Ela não mais me pediu dinheiro emprestado, mas também deixou de falar comigo.
Já uma amiga me pediu uma importância em dinheiro, prometendo pagar tão logo recebesse uma grana de uma causa ganha na justiça. Ela realmente ganhou a causa, mas até hoje não me restituiu o empréstimo. Nesse caso específico, resolvi comigo anistiar a dívida e manter o vínculo.
Outro dia, um colega veio lamentar que um amigo seu havia pedido dinheiro emprestado, não lhe havia pago e ainda o estava evitando. O credor precisava cobrar a dívida, mas me confessou seu constrangimento em fazê-lo. É curioso... uma pessoa faz o favor de emprestar dinheiro, o devedor não paga e quem fica constrangido é o credor!
É claro que existem as exceções e tive oportunidades de experimentá-las. Emprestei a algumas pessoas que religiosamente me retornaram com os juros da gratidão.
Hoje, se um amigo está em dificuldades financeiras e tenho alguma quantia disponível, concedo o empréstimo. Mas, cá com meus botões, considero doação. Se ele puder e quiser me retornar o dinheiro, é lucro. Se não, faço questão de dizer-lhe que não precisa, para que ele não se sinta em dívida comigo e me evite. Se a quantia requerida vai me fazer falta, digo que não tenho para emprestar (o que não deixa de ser verdade). Agora, se não for amigo de verdade e, mesmo que eu disponha do dinheiro, nego o empréstimo categoricamente. Assim, não perco amigos, nem compro inimigos.





